12 novembro 2010

COMO DEFINIR ALGO TÃO SUBJETIVO: DOR



A Medicina paliativa, já reconhecida como especialidade em alguns países, visa a tratar pacientes com doença ativa e prognóstico reservado desviando o foco de suas atenções da cura, para a qualidade de vida.

A assistência a pacientes com doenças avançadas, que não encontram resposta curativa com os tratamentos tradicionais, iniciou o caminho da especialização há cerca de 40 anos.

A dor é uma das mais frequentes razões de incapacidade e sofrimento para pacientes com doenças em progressão. Em algum momento da evolução da doença, 80% dos pacientes experimentarão dor.

Historicamente o marco de transformação desta assistência se deu na Inglaterra, quando a Dra. Cecily Saunders, médica e uma das fundadoras do St. Christopher Hospice em 1967- passou a defender o cuidado a estes pacientes como atribuição de equipe. Equipe que deveria se empenhar em aumentar a qualidade de vida restante de pacientes e agregação de familiares que lutavam com uma doença mortal em seu meio.

Cecily Saunders introduziu o conceito de - Dor Total -, constituída por vários componentes: físico, mental, social e espiritual.

A severidade da dor não é diretamente proporcional a quantidade de tecido lesado e muitos fatores podem influenciar nesta percepção:

- fadiga;
- depressão;
- raiva;
- medo/ ansiedade;
- sentimentos de falta de esperança e amparo.
- a doença em si.

A ênfase na importância dos sintomas psicológicos, espirituais e sociais amplia as responsabilidades desta assistência que deve atuar para além do controle de sintomas físicos, priorizando o alívio do sofrimento humano e considerando o impacto de suas ações segundo as considerações de qualidade de vida dos próprios pacientes.

Pacientes com doença avançada se deparam com muitas perdas; perda da normalidade, da saúde, de potencial de futuro. A dor impõe limitações no estilo de vida, particularmente na mobilidade, paciência, resignação, podendo ser interpretada como um saldo da doença que progride.

Na experiência dolorosa, os aspectos sensitivos, emocionais e culturais são indissociáveis e devem ser igualmente investigados. Todos os aspectos sobre a - Dor Total - devem ser claros para a equipe que trata. Leituras complementares sobre este aspecto são recomendáveis.

Este conceito de Dor Total mostra a importância de todas essas dimensões do sofrimento humano e o bom alívio da dor não é alcançado, sem dar atenção a essas áreas.

Ao enfocar adversidade das necessidades destes pacientes, contemplar os benefícios da multidisciplinaridade para o êxito dos objetivos e incluir os familiares na problemática da doença avançada, Dra Cecily Saunders moldou o futuro do que conhecemos hoje por - Cuidados Paliativos. Os quais diferem da Medicina Paliativa pela interdisciplinariedade.

Para a OMS, Cuidado Paliativo é: O cuidado total e ativo de pacientes cuja doença não é mais responsiva ao tratamento curativo. São da maior importancia: o controle da dor e outros sintomas, como os psicológicos, espirituais e sociais.

A magnitude dos termos - cuidados totais e ativos - dá a exata dimensão da visão ideal sobre cuidados paliativos. Cuidado no sentido mais amplo possível, considerando as necessidades destes pacientes em todos os seus aspectos e ativo, no sentido do afastamento da passividade e conformismo em direção a investimentos pelo aprimoramento e qualificação da assistência familiar e hospitalar.

Atualmente, 70% dos tumores malignos na infância são curáveis. No entanto, o maior medo enfrentado pelos pais é que seus filhos sofram neste decurso. Devemos desenvolver e divulgar rotinas multidisciplinares para assegurar que o alívio da dor é possível na maioria dos casos. O adequado preparo da equipe e estratégia montada é fundamental para o controle da dor e sintomas prevalentes em pacientes com doenças avançada sob cuidados paliativos.

É condição imprescindível que os profissionais de saúde saibam como controlar a dor de pacientes, que reagem contra mitos e conceitos principalmente sobre as drogas disponíveis e que se mantenham atualizados. Para tanto, aborda as possibilidades de tratamento da dor adequado aos recursos disponíveis de cada um e de cada meio.

O Ministério da Saúde disponibiliza um arsenal suficiente de medicamentos, facilitando as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde a viabilização de condições para que se possa assistir adequadamente os cidadãos brasileiros tão necessitados.

Atualmente a Medicina Preventiva apresenta uma gama de possibilidades para um melhor alívio da dor através de acupuntura, massagens, rpg, etc.....O acompanhamento psicológico , espiritual e social estão cada vez mais presentes nos processos de recuperação e alívio da dor.

Fátima Borges

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