29 dezembro 2010

A SIMPATIA DO MESTRE


Do apostolado de Jesus, destaca-se a simpatia por alicerce da felicidade humana.
 A violência não consta da sua técnica de conquistar.
 Ainda hoje, vemos vasta fileira de lidadores do sacerdócio usando, em nome dEle, a imposição e a crueldade; todavia, o Mestre, invariavelmente, pautou os seus ensinamentos nas mais amplas normas de respeito aos seus contemporâneos.
 Jamais faltou com o entendimento justo para com as pessoas e as situações.
 

Divino Semeador, sabia que não basta plantar os bons princípios e sim oferecer, antes de tudo, à semente favoráveis condições, necessários à germinação e ao crescimento.
 Certo, em se tratando do interesse coletivo, Jesus não menoscaba a energia benéfica. 
Exprobra¹ comercialismo desenfreado que humilha o Templo, quanto profliga² os erros de sua época.
 Entretanto, diante das criaturas dominadas pelo mal, enche-se de profunda compaixão e tolerância construtivas.
 

Aos enfermos não indaga quanto à causa das aflições que os vergastam, para irritá-los com reclamações.
 Auxilia-os e cura-os.
 Os apontamentos que dirige aos pecadores e transviados são recomendações doces e sutis.
 

Ao doente curado do Tanque de Betesda, explica despretensioso: 

-Vai e não reincidas no erro para que te não aconteça coisa pior.
 

À pobre mulher, apedrejada na praça pública, adverte, bondoso:

 -Vai e não peques mais.
 

Não indica o inferno às vitimas da sombra. Reergue-as, compassivo, e acende-lhes nova luz.
 Compreende os problemas e as lutas de cada um.
Atrai as crianças a si, compadecidamente, infundindo nova confiança aos corações maternos.
 Sabe que Pedro é frágil, mas não desespera e confia nele. 
Contempla o torvo drama do espírito de Judas, no entanto, não o expulsa.
 Reconhece que a maioria dos beneficiários não se revelam à altura das concessões que solicitam, contudo, não lhes nega assistência.
 Preso, recompõe e orelha de Malco, o soldado.
 À frente de Pilatos e da Ántipas, não pede providências suscetíveis de lançar a discórdia, ainda mesmo a título de preservação da justiça.
 

Longe de impacientar-se com a presença dos malfeitores que também sofreram a crucificação, inclina-se amistosamente para eles e busca entendê-los e encoraja-los.
 À turba que o rodeia com palavrões e cutiladas envia pensamentos de paz e votos de perdão.
 E, ainda além da morte, não foge aos companheiros que desertaram. Materializa-se, diante deles, induzindo-os ao serviço da regeneração humana, com o incentivo de sua presença e de seu amor, até ao fim da luta.
 

Em todas as passagens do Evangelho, perante o coração humano, sentimos no Senhor o campeão da simpatia, ensinando como sanar o mal e construir o bem. E desde a Manjedoura, sob a sua divina inspiração, um novo caminho redentor se abre aos homens, no rumo da paz e da felicidade, com bases no auxílio mútuo e no espírito de serviço, na bondade e na confraternização.

(Do livro "Roteiro", pelo Espírito Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)

¹ Exprobrar: Lançar em rosto; censurar.
² Profligar: Deitar por terra; vencer; derrotar.

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