30 setembro 2012

CANCER - CANCER DE MAMA

Mulheres com sobrepeso e obesas
 estão sob maior risco 
de recorrência do câncer de mama

De acordo com os achados de um estudo apresentado pela professora Jennifer Ligibel do Instituto de Câncer Dana Faber em Boston, mulheres que estão com sobrepeso ou são obesas quando diagnosticadas com câncer de mama estão sob maior risco de recorrência ou morte relacionada ao câncer que mulheres com um índice de massa corporal saudável. O achado se manteve mesmo após ajuste no estudo CALGB 9741 da quimioterapia de acordo com o peso corporal.

A obesidade está associada a piores desfechos de saúde e é cada vez mais reconhecido que mulheres obesas no momento do diagnóstico do câncer de mama parecem ter um prognóstico pior quando comparadas com mulheres mais magras. No entanto, tem havido algum debate se fatores do tratamento podem influenciar esta relação. Por exemplo, mulheres obesas podem receber terapias menos agressivas ou receber doses de quimioterapia menores que as magras.
O estudo CALGB 9741, que avaliou a eficácia de várias quimioterapias adjuvantes entre 1997 e 1999, foi usado para investigar a relação entre o IMC e os desfechos.
Pacientes elegíveis incluíram mulheres na pré e pós-menopausa, com câncer de mama com linfonodos positivos e com qualquer status de receptor hormonal. O protocolo exigia que todas as pacientes recebessem dose de quimioterapia com base no peso e não permitia doses reduzidas ou limitadas para pacientes obesas. A mediana de acompanhamento apresentada pela Dra. Ligibel foi de 11 anos.
Todas as pacientes receberam doxorrubicina (60 mg/m2 iv), ciclofosfamida (600 mg/m2iv) e paclitaxel (60 mg/m2 iv por 3 horas). Uma randomização fatorial de 2x2 foi aplicado a terapia a cada 2 semanas contra a 3 semanas, seguida de uma segunda randomização para duas sequências diferentes da terapia: um grupo recebeu doxorrubicina seguida de paclitaxel acompanhado por ciclofosfamida e o segundo grupo recebeu doxorrubicina e ciclofosfamida concomitantes seguidas de paclitaxel.
A Dra. Ligibel destacou que o índice de massa corporal (IMC) pré-tratamento da população de estudo de acordo com o critério da Organização Mundial da Saúde foi a seguinte: 1% com baixo peso (<18,5 kg/m2), 33% com peso normal (18,5 - 24,9 kg/m2), 33% com sobrepeso (25 - 29.9 kg/m2), 33% com obesidade (≥30 kg/m2). As categorias de peso foram igualmente distribuídas entre os braços de tratamento.
Foi observado que a ocorrência da menopausa influencia o IMC, com mais mulheres obesas na pós que na pré-menopausa (38 contra 29%). o tamanho tumoral também esteve relacionado ao IMC; mulheres obesas tinham maior probabilidade de ter tumores grandes comparado com tumores menores (36 contra 30%). Uma relação não foi observada entre o status do receptor e o IMC, ou entre o IMC e o número de linfonodos envolvidos.
Os pesquisadores demonstraram uma relação aproximadamente linear entre o aumento do IMC e piores desfechos (p<0.05). Os pacientes que tinham peso corporal normal tiveram melhor sobrevida livre de recorrência em comparação com pacientes que eram obesos ou tinham sobrepeso.
Em uma análise ajustada, os pesquisadores observaram que o IMC foi um preditor independente da sobrevida livre de recorrência , com o aumento de cada unidade do IMC correspondendo a um aumento de aproximadamente 1,5% de perda de sobrevida livre de recorrência (por exemplo, uma mulher com um IMC de 27 contra uma mulher com um IMC de 22 tinha um aumento de 8% no risco de recorrência; p=0,010). Também foi observado que o índice de massa corporal é um preditor independente de sobrevida global. Cada aumento unitário no IMC correspondeu a um aumento de aproximadamente 1,5% no risco de morte.
Foi observado que a relação entre o IMC aumentado e prognóstico desfavorável era independente do status do receptor de estrogênio e do tratamento a despeito de estudo recentes sugerindo que a relação entre a obesidade e desfechos desfavoráveis está presente apenas no subgrupo com receptor de estrogênio positivo.
A interação entre IMC e duração do ciclo já havia sido publicada pelo estudo CALGB 9741; ele mostrou que pacientes que receberam tratamento a cada 2 semanas se saíram melhor que pacientes que receberam tratamento a cada 3 semanas. No entanto, a relação entre o IMC e desfechos negativos foi observada independentemente do tratamento que os pacientes receberam.
O professor David Cameron, da Universidade de Edimburgo e presidente do encontro EBCC-8 afirmou que “enquanto esses são achados importantes para mulheres com câncer de mama, precisamos reconhecer que a razão pela qual mulheres com sobrepeso têm piores desfechos não está claro. Há várias razões pelas quais mulheres com sobrepeso devem tentar retornar ao peso normal, mas não é sempre fácil, e como os autores reconhecem, nós ainda não sabemos se perder peso após o diagnóstico de câncer de mama fará diferença.”
Conversando com o Doctors.net.uk, a professora Ligibel afirmou que ainda deve ser estudado se “alterando o peso após o diagnóstico tem um impacto no diagnóstico.” Ela afirmou que orienta suas próprias pacientes que “manter o peso estável tem muitos desfechos benéficos mas ainda não sabemos, com certeza se isso diminui o risco de recorrência do câncer de mama.”
Referências
Based on Ligibel J et al. Relationship between body mass index (BMI) and outcomes in node-positive breast cancer patients receiving chemotherapy: Results from CALGB/Intergroup 9741. Apresentado às 10:30 de sexta-feira 23 de março.
8th European Breast Cancer Conference (EBCC 8) 2012 MEDCENTER

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