27 dezembro 2012

CANCER - FATALIDADE? PODE MUDAR?

Desde há muito o câncer tem sido sinônimo de medo, sofrimento e derrota para a imensa maioria das pessoas encarnadas na Terra. Condenação quase sempre inapelável, desperta anseios e pavores internos e, sobretudo, expõe a fragilidade da vida biológica e a transitoriedade da existência material. Apesar dos consideráveis avanços tecnológicos em busca do diagnóstico precoce e do tratamento eficaz, a Medicina e a Ciência em geral estão ainda distantes de dominarem o comportamento descontrolado das células neoplásicas.
Câncer é uma palavra derivada do grego “karkinos”, a figura mitológica de um caranguejo gigante, escolhida por Hipócrates para representar úlceras de difícil cicatrização e que, ao longo do tempo, consagrou-se como sinônimo genérico das neoplasias malignas.
O câncer não é uma doença única. Há mais de cem tipos diferentes de câncer, que variam ao extremo em suas causas, manifestações e prognósticos. Além disso, tumores de tipos histológicos iguais irão se comportar de maneira diferente em cada paciente, na dependência de fatores genéticos, imunológicos, emocionais e ambientais.
O câncer é caracterizado por um crescimento autônomo, desordenado e incontrolado de células (neoplasia) que, ao alcançarem uma certa massa, comprimem, invadem e destroem os tecidos normais vizinhos (comportamento “maligno”).
O processo de carcinogênese, ou seja, de formação do câncer, em geral se dá lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere e dê origem a um tumor visível. Esse processo passa por vários estágios. No estágio inicial, células normais sofrem a ação de um agente cancerígeno e passam a apresentar uma modificação (mutação) genética. A permanência de agentes agressores, associados a fatores imunológicos, ambientais e genéticos do hospedeiro, vão promovendo mais e mais a transformação celular, até que ela se torna uma célula descontrolada, atípica, “maligna”. Finalmente, tais células doentes, geneticamente modificadas, passam a se multiplicar descontroladamente, provocando o crescimento do tumor. Em certo momento, ele se manifesta clinicamente.
Será o câncer uma obra do acaso, um castigo de Deus ou um “carma” do espírito? Hoje, à luz da ciência médica, pode-se afirmar que o fator predominante da carcinogênese é, sem dúvida, o comportamento humano: tabagismo, abuso de álcool, maus hábitos alimentares e de higiene, obesidade e sedentarismo são responsáveis por quatro em cada cinco casos de câncer e por 70% do total de mortes por câncer. Os cânceres por herança genética pura, ou seja, que não dependem de fatores comportamentais e ambientais, são menos de 5% do total.
Será o câncer uma fatalidade repentina a nos devastar o destino? Como a maioria das doenças que assolam a humanidade terrena, o câncer deriva de uma composição de fatores, entretanto, em pelo menos 75% dos casos decorre do estilo de vida. Por outro lado, se detectado precocemente, pode ser curável em 50% dos casos. Ou seja: não há fatalidade absoluta e, via de regra, é um mal evitável!
Estudos diversos demonstram que não fumar, não abusar do álcool, comer menos carne vermelha e defumados, menos gorduras, menos refrigerantes, menos sal, comer mais verduras, legumes, frutas e grãos naturais e fazer exercício físico, pode diminuir 50% a incidência de câncer. Pensemos: quantos cânceres seriam prevenidos pela espiritualização dos costumes e hábitos?
Será o câncer uma desgraça social, uma punição divina pelos abusos dos homens? Nem um, nem outro. O câncer é um sintoma do estágio moral das criaturas que habitamos o planeta. É preciso que todos os esforços da Medicina continuem em busca da cura, do controle e do abrandamento das suas conseqüências para a Grande Família Humana. Mas é imperativo também que, iluminados pelo conhecimento espírita, façamos empenho em corrigir as veredas pelas quais deliberadamente trilhamos, remodelando as matrizes perispirituais e os condicionamentos oriundos da animalidade e do comportamento de fuga.
A proposta espírita é a proposta do Cristo: avaliar com honestidade a própria conduta e as tendências (vigiai!), confiar na Providência Divina (orai!) e empenhar esforço pessoal na reforma íntima e na fraternidade incondicional.
Vós sois deuses!, afirmou Jesus ao lembrar o salmo de Davi (82:6), exortando-nos a crescer em nossa divindade, a assumir nosso desenvolvimento espiritual, promovendo saúde e paz.
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